O Desafio da Partida: Domando a Corrente Elétrica

Motores elétricos de indução são a espinha dorsal da indústria moderna, responsáveis por mover bombas, ventiladores, compressores e uma infinidade de máquinas. No entanto, o momento em que um motor é ligado é o seu ponto mais vulnerável. Ao ser energizado, o motor exige uma quantidade de corrente elétrica muito superior à sua corrente nominal de trabalho – o chamado pico de corrente de partida.

 

Esse pico pode ser de 5 a 10 vezes maior que a corrente normal, e é um verdadeiro "soco" no sistema elétrico. Ele pode causar:

Quedas de Tensão na rede, afetando outros equipamentos conectados.

Sobredimensionamento dos cabos e dispositivos de proteção, elevando custos.

Estresse Mecânico no motor e na carga acoplada, diminuindo a vida útil do equipamento.

 

Para domar essa força bruta inicial, a engenharia elétrica desenvolveu métodos de partida suave, e um dos mais tradicionais e eficazes é a Partida Estrela-Triângulo.

 

O Segredo da Estrela-Triângulo: A Partida Suave

A Partida Estrela-Triângulo é um método de partida de tensão reduzida que utiliza uma manobra inteligente para limitar o pico de corrente.

 

Como Funciona a Mágica?

O motor de indução, que deve ser projetado para operar em Triângulo (Δ) com a tensão da rede, é ligado em duas etapas:

 

1ª Etapa: Ligação Estrela (Y): No momento da partida, o motor é conectado temporariamente na configuração Estrela. Nessa configuração, a tensão aplicada a cada bobina do motor é reduzida para $\frac{1}{\sqrt{3}}$ (aproximadamente 58%) da tensão nominal da rede. Essa redução de tensão resulta em uma redução da corrente de partida para cerca de um terço daquela que ocorreria em uma partida direta. O motor começa a girar suavemente.

2ª Etapa: Ligação Triângulo (Δ): Após o motor atingir cerca de 80% de sua velocidade nominal (o que leva alguns segundos), a chave de transferência muda a conexão para a configuração Triângulo. Agora, cada bobina recebe a tensão nominal total da rede, e o motor atinge sua velocidade e torque de trabalho plenos.

 

Quando Usar a Partida Estrela-Triângulo?

A Partida Estrela-Triângulo não é uma solução universal; ela é uma ferramenta específica para um tipo de motor e aplicação.

 

Motores de Média e Grande Potência

A regra de ouro é: quanto maior o motor, maior o pico de corrente de partida. A Estrela-Triângulo é ideal para motores com potência a partir de 7,5 CV (ou 5,5 kW), onde o impacto da partida direta na rede elétrica seria significativo. Para motores menores, a partida direta (simplesmente ligar) é mais simples e o custo-benefício da Estrela-Triângulo não se justifica.

 

Motores com Seis Terminais (Dupla Tensão)

Para que a manobra Estrela-Triângulo seja possível, o motor precisa ter seis terminais acessíveis (U1, V1, W1, U2, V2, W2) e ser projetado para operar em duas tensões diferentes (ex: 220V/380V ou 380V/660V). A tensão mais alta deve ser a tensão da rede, pois é nela que o motor operará em Triângulo.

 

Aplicações de Partida a Vazio ou com Carga Leve

A redução de corrente na partida Estrela (Y) vem acompanhada de uma redução drástica no torque de partida (também para cerca de um terço). Isso significa que a Estrela-Triângulo é perfeita para:

 

Bombas Centrífugas: A carga de água só aumenta conforme a velocidade cresce.

Ventiladores e Exaustores: A inércia inicial é baixa.

Compressores (sem carga): Partem despressurizados.

 

Atenção: Se o motor precisar de um torque alto logo na partida (como um elevador carregado ou um misturador pesado), a Partida Estrela-Triângulo pode não ser a melhor escolha, pois o torque reduzido pode não ser suficiente para vencer a inércia, fazendo com que o motor demore a acelerar ou nem saia do lugar. Nesses casos, outras soluções como Soft-Starters ou Inversores de Frequência são mais adequadas.

 

Conclusão: Inteligência e Economia

A Partida Estrela-Triângulo é um clássico da elétrica industrial por um motivo: ela entrega uma solução inteligente e econômica para um problema comum. Ela permite que motores potentes sejam ligados sem sobrecarregar a rede, protegendo o sistema elétrico e prolongando a vida útil do motor.

 

Ao entender a relação entre potência, tensão e torque, o profissional pode escolher o momento certo para aplicar essa técnica, garantindo que a força do motor seja liberada com a suavidade e a inteligência necessárias para manter a produção em pleno vapor.

 

Saiba Mais:

 

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